Arquivo para outubro \31\UTC 2008

Ação em ônibus contra “pichadores”

Por Bruna Torres

Infelizmente é comum vermos nas cadeiras dos ônibus, mesmo nos novos, pichações.Feitas na maioria com corretivos ou estiletes elas trazem nomes, palavrões, “declarações de amor” e até desenhos. Alguns podem pensar que é “arte”, mas não é. Pensando nisso uma agência de publicidade australiana, a Cooch Creative, desenvolveu uma ação nos ônibus que mostra o que acontece com quem faz a pichação.

"Grafite e sua próxima parada será a cadeia"

Grande idéia! Poderíamos aplicá-la em nossos ônibus.

A bunda dura

Arnaldo Jabor

Tenho horror a mulher perfeitinha.

Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário?
E, só pra piorar, tem a bunda dura!? Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes. Sou louco? Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?

a – ESCOVA TODA MANHÃ: A fulana acorda as seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar- se no Padrão ‘Alisabel é que é legal’. Burra.

b – NA MODA: Estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS. O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar’desarrumada’ nem enquanto tiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto. Credo.

c – SORRISO INCESSANTE: Ela mora na vila do Smurfs? Tá fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipática com orgulho – só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás ela nem sabe o que a palavra significa, coitada.

d – BUNDA DURA: As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico (isso quando não enfiam o dedo na garganta pra se livrar das 2 calorias que ingeriram), portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão.

Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão.

Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine do Iguatemi, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps.

Que beleza de mulher. E você reparou naquela bunda? Meu Deus…

Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira de bebedeira.
Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema).

Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua.

Charge – Amarildo

Lula, o marolinha

Eleitos: e agora?

Aristides Tavares Ribeiro

Interessante como nos acostumamos e nos deixamos influenciar por acontecimentos ou comportamentos comuns. Dia destes recebi o convite para falar sobre o tema acima e confesso que me senti tentado a criticar os eleitores, com a clássica conversa de que brasileiros não sabem votar, e por aí vai. Sorte que acordei em tempo, pois posso ver que as eleições de 2008 serviram para que os eleitores fizessem através da escolha livre e consciente a expressão da sua vontade.

Agora é chegado o momento de respeitarmos o resultado das urnas, contra os quais podemos nos insurgir apenas se ele for fruto de algum desvio de conduta do candidato ou de alguém que oficialmente o apóie ou represente. O eleitor consciente e esclarecido procurou conhecer os candidatos antes de votar, visitou os sites indicados, trocou idéias com os amigos e colegas de trabalho. Nas padarias formavam se muitas rodinhas de experts em política e de outros nem tanto espertos assim, mas todos tinham algo a dizer ou uma história para contar a respeito deste ou daquele candidato. Agora, todos devem acolher os eleitos e ajudá-los para que não caiam nas tentações que o dia-a-dia da política lhes oferecerá. Esse é o lado dos eleitores, mas e do lado dos vereadores? Como deverão se portar os eleitos durante o novo mandato? Certamente, é necessário que reflitam sobre alguns pontos:

 – A expressiva votação que permitiu a eleição de vários com mais de cinco ou seis mil votos deve indicar algo. Como e o que responder aos eleitores?

–  Como a população vai encarar a produção da Câmara, agora com subsídio substancialmente reajustado e que foi votado por esta maioria ora reeleita?

–  O paradoxal e curioso fato de que dois dos que não votaram a favor do aumento no valor dos subsídios estejam tão complicados agora. Um não alcançou uma cadeira no turno das eleições embora tenha recebido espetacular votação, e o outro que perde o mandato graças a uma falha primária do partido que foi relapso na observação dos prazos e documentação dos candidatos, itens tão claros na legislação.

–  Observar a recomendação do Tribunal de Contas quanto ao número de assessores em cargo de confiança por gabinete, que faz o gabinete do vereador tão semelhante ao gabinete de deputado estadual.                        

O esperado é que estes vereadores passem a cumprir os princípios que regem a ação dos agentes públicos na administração direta ou indireta: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência no exercício das atribuições próprias da função. Pegue a primeira letra de cada principio acima e veja um vocábulo que sugere uma ação: L I M P E.

      Parece uma boa proposta para a nova legislatura, pois o embate por eles travado nos bairros com a distribuição de panfletos com fotos ao lado de obras infringe a lei quanto à impessoalidade; parentes ocupando cargos na prefeitura ferem a moralidade. Isso certamente terá de ser revisto.

      O que até ontem se tolerava, agora não se tolera mais, vejam o caso da poluição visual das vias públicas durante a campanha quando, embora tardiamente, foi determinada a limpeza pela juíza eleitoral. Essa campanha pode ter sido o marco inicial para um novo modo de praticar a política. Pense nisso e não deixe de participar da vida da cidade, pois é seu direito e seu dever cívico.

Frase

“…Ah! Se eu pudesse escrever

o quanto eu te amo, o quanto eu te adoro…

Doce paixão, no coração

já não sei mais viver sem você…”

Hermanos

A revista que virou panfleto

Aproveitando o recente post sobre a abordagem parcial dos jornais paulistanos na cobertura das eleições municipais, constatada pelo Observatório Brasileiro de Mídia, segue análise de Luiz Antonio Magalhães, do jornal Brasil de Fato, disponível no Observatório do Direito à Comunicação.

O artigo, de 16/10, fala sobre a famigerada parcialidade da revista Veja, na cobertura do primeiro turno das eleições municipais, entre outros assuntos. Veja é folclórica. Mas é sempre bom ressaltar, sobretudo às vésperas das eleições, que muitas informações recebidas são reportagens “editorializadas”, seja da revista semanal do Grupo Abril, seja dos jornais analisados pelo OBM ou por qualquer outro veículo.

Segue o texto:

Veja: A revista que virou panfleto
Luiz Antonio Magalhães – Brasil de Fato
16.10.2008

A revista “Veja” parece ter perdido definitivamente o rumo, talvez em função do vexame histórico na cobertura da crise financeira internacional. Afinal, não é todo dia que uma redação prepara uma capa espetacularmente incisiva, com o Tio Sam de dedo em riste e a manchete garantindo “Eu salvei você” (edição 2079, com data de 24/9/2008), para, dias depois, essa mesma capa se transformar num case de “barriga” jornalística, uma vez que o crash de 29 de setembro revelou não apenas que o Tio Sam não havia conseguido salvar ninguém como estava desesperadamente em busca de uma solução que envolvesse a União Européia e até países emergentes. A “barriga” foi tão descomunal que na semana seguinte a rival “Carta Capital” fez graça e repetiu a capa da “Veja”, com o mesmo Tio Sam de dedo em riste, acompanhado por uma manchete marota: “Ele não salva ninguém”.

Se o problema fosse apenas na forma, tudo bem, “barrigas” acontecem nas melhores redações (em “Veja”, com uma freqüência um tanto maior, estão aí o boimate, os milhões do Ibsen Pinheiro e os dólares de Cuba que não me deixam mentir). A questão central não está na forma, está no conteúdo. “Veja” há muito tempo não é uma revista jornalística, mas um panfletão conservador, editado por uma equipe que conta com a fina flor do pensamento reacionário brasileiro. A crise global, porém, parece ter mexido com os nervos do pessoal da “Veja” e o panfletão perdeu o rumo.

Em um primeiro momento, “Veja” apresentou ao distinto público a idéia de que a crise já tinha acabado com o anúncio do primeiro pacote de Bush-Paulson; o que havia era um “soluço” absolutamente normal no capitalismo. Na semana seguinte, com data de capa de 1° de outubro, mas circulando no fim de semana de 27-28 de setembro, portanto às vésperas do crash de 29/9, a revista da Editora Abril voltou a dar capa para a crise, fazendo uma espécie de “balanço” do que vinha ocorrendo. “Depois do desastre” era a manchete da capa – mas o desastre real ainda nem tinha acontecido.

Exemplo de fora

O problema de “Veja” é que os valores nos quais continua acreditando e defendendo estavam virando pó com a crise e não havia discurso coerente que servisse para manter o panfletão em pé, muito menos com o disfarce de veículo jornalístico.

Primeiro, veio a euforia (ok, existe uma crise, reconhecemos, mas Bush é “dos nossos”, vai dar um tiro certeiro e cortar o mal pela raiz). Não funcionou, para a perplexidade dos jornalistas que cuidam de traduzir o pensamento reacionário norte-americano em uma linguagem acessível a qualquer idiota, e a revista começou a tentar reconhecer que se tratava mesmo de uma crise gravíssima e que expõe as entranhas de um sistema podre, desregulado e baseado na ganância de gente que vendia terrenos na Lua sem o menor escrúpulo, contando com a certeza da impunidade.

Enquanto tateia em busca de um discurso para a crise – se os mercados continuarem eufóricos, provavelmente a próxima capa será um enorme “UFA!” – “Veja” não descuida do front interno. Na edição corrente (nº. 2082, com data de capa de 15/10), a “Carta ao Leitor”, espaço editorial da revista, leva o título “O povo não é bobo”, acompanhada de uma grande foto do prefeito Gilberto Kassab. O recado da revista ao seu público começa assim: “O primeiro turno das eleições municipais demonstrou, outra vez, que a esmagadora maioria dos brasileiros sabe, sim, votar, ao contrário do que ainda insistem em propalar os descrentes na democracia nacional (felizmente, poucos)”.

Em seguida, vem o argumento “racional” de que a população votou nos melhores, gente que trabalha sério, “independente do partido”. Beto Richa (PSDB) e Fernando Gabeira (PV) são citados no texto, e Kassab na legenda da foto (“Gilberto Kassab, de São Paulo: exemplo de que a maioria dos brasileiros sabe, sim, votar”). No final do texto, o veredicto final: “Não basta para um partido – qualquer um – contar só com a força de um presidente da República bem avaliado e simpático. É preciso muito mais. O povo não é bobo”.

Não, de fato o povo não é bobo e já sabe que “Veja” tem lado. Neste ponto, aliás, seria mais honesto e correto copiar o que de bom existe nos Estados Unidos e explicitar, no editorial, que a revista apóia os candidatos da oposição, especialmente os do PSDB e DEM – legendas que por sinal apóiam Gabeira no Rio. É assim que se faz lá fora e é assim que agiram “Carta Capital” e, em diversas ocasiões, a “Folha de S. Paulo” e “O Estado de S. Paulo”. “Veja”, ao contrário, editorializa as reportagens.

Aritmética enviesada

Um bom exemplo está também na edição desta semana, na reportagem que faz um balanço do resultado das urnas. A revista reconhece que o PT cresceu, mas diz que foi nos grotões. Um infográfico está lá para quem quiser fazer contas: em número absoluto de votos, o PT cresceu 1% em relação a 2004, o DEM teve 17% a menos do que na votação anterior e o PSDB perdeu 8% dos votantes de quatro anos atrás. O PMDB, líder no país pelo critério de prefeitos eleitos, viu seu eleitorado crescer 30%.

Qualquer foca de jornalismo faz as contas, soma os danos e conclui que o lead é a derrota dos partidos de oposição, que perderam exatamente 25% do eleitorado de quatro anos atrás. Qualquer foca, menos a “Veja”, que preferiu destacar o aumento de 30% do PMDB, um partido-ônibus em que cabe qualquer um e que tem na resiliência a sua maior virtude. É justo que se dê destaque à vitória peemedebista, mas é evidente que o fato político mais relevante é a estrondosa derrota da aliança demo-tucana, com conseqüências evidentes na corrida sucessória de 2010.

No fundo, “Veja” age na política e na economia seguindo a máxima do ex-ministro Rubens Ricupero: o que é bom (para o ideário conservador), a gente mostra; o que é ruim, a gente esconde. E isto, fica aqui o reconhecimento, o pessoal da redação de “Veja” sabe fazer como ninguém.

* Luiz Antônio Magalhães é editor de política do DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa.

Considero, como leitor, esse jornalismo panfletário como um desrespeito ao eleitor ou assinante. Quem espera informação dessa revista (e não só dessa revista) compra gato por lebre – e algumas pessoas ainda não sabem disso, sobretudo em veículos menos “folclóricos”. É desrespeitoso e pouco profissional!

O mais lamentável é essa banalização da falta de profissionalismo nas redações. Depois Deus e mundo esbraveja contra a possibilidade do fim da exigência do diploma de jornalista. Sei que esse é outro tema, cuja discussão é mais aprofundada, envolve uma série de prós e contras… mas que o jornalismo praticado por muitos jornalistas formados cumpre muito mal a função social que tem, isso cumpre!

Por: Midia Clipping