E agora Arruda?

Por Elizânio Silva

O governador do Distrito Federal, José Roverto Arruda (DEM), divulgou nota para esclarecer os vídeos divulgados no fim de semana. Nas imagens, Arruda e aliados de seu governo, aparecem recebem maços de dinheiro num esquema parecido com o “mensalão” do governo do PT ocorrido em 2005. O esquema era o mesmo, a compra de apoio na Assembleia Distrital.

Num dos vídeos o presidente da Assembleia Distrital, deputado Leonardo Prudente (DEM), aparece recebendo R$400 mil. Era tanto dinheiro que após encher os bolsos, o deputado usou a meia para esconder parte do montante. 

Segundo um dos assessores do governador, os R$ 50 mil recebidos por Arruda seriam utilizados para comprar cestas de natal e panetones. Cá entre nós, haja panetone para gastar 50 mil, hein?

Arruda é aquele mesmo que em 2001, renunciou o cargo de senador por participar da violação do painel eletrônico do Senado. Se dizendo arrependido do que fez, Arruda pediu desculpas pelo deslize e prometeu nunca mais errar.

Único governador democrata do país, José Roberto Arruda está nas mãos da executiva do seu partido que definirá seu futuro, mas alguns membros importantes do partico, como o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, já defendem a expulsão de Arruda.

E agora, como negar as denúncias?   

Veja abaixo a íntegra da nota divulgada pelo governador:

Tendo em vista o que aconteceu nos últimos dias e depois de uma análise preliminar dos documentos disponíveis, julgo importante fazer as seguintes considerações:

1 – Durante 8 anos o denunciante, Durval Barbosa, hoje réu em 32 processos, todos por atos praticados no governo anterior, foi presidente da Codeplan, empresa de informática do governo Roriz.


2 – Recursos eventualmente recebidos por nós do denunciante para ações sociais, nos anos de 2004, 2005 e 2006, entre os quais o que foi exibido pela TV, foram regularmente registrados ou contabilizados, como o foram todos os demais itens da campanha eleitoral.

3 – Na montagem da equipe de governo, o denunciante desejou continuar na empresa de informática. Avisados de que ele respondia, como réu, a processos por condutas praticadas no governo anterior, não concordamos com sua permanência no mesmo posto, e o mantivemos no governo, em outro setor, meramente burocrático, já que não havia ainda nenhuma condenação.

4 – Criamos uma Agência Técnica de Informática. Mais tarde, informados que na nova Agência de Informática ainda havia problemas, extinguimos a Agência, demitimos os servidores sob suspeita e descentralizamos todos os serviços (decretos nºs 29.674 e 30.010, em anexo)

5 – O nosso governo reduziu os gastos de informática em mais de 50% em relação ao último ano do governo passado. Isto contrariou a muitos interesses políticos e empresariais que, agora fica claro, são ligados ao denunciante.

6 – Quanto ao diálogo gravado no dia 21 de outubro, fica claro que foi conduzido para passar uma versão previamente estudada. A avaliação preliminar dos nossos advogados me alerta que os supostos “defeitos” ou “aquecimento” e “resfriamento” do aparelho de gravação, conforme consta dos autos, acabaram por truncar e comprometer o teor e o sentido da conversa, inclusive com a “desconfiguração dos dados armazenados”. Os advogados estão estudando essa questão. O denunciante propunha, dias antes do encontro, a realização de pesquisas, conversas para acordos políticos e doações para campanha por empresários amigos dele. Deixamos claro que não aceitaríamos essas doações, pois só cuidaríamos de campanha no próximo ano, e sugerimos apoio às campanhas de deputados da base de apoio ao governo, na forma da lei.

7 – Quanto a outras imagens e/ou outros informes inseridos no inquérito relativos a doações que ele teria feito a outros políticos, é preciso que haja uma análise cuidadosa dos advogados para esclarecer melhor as datas e as responsabilidades.

8 – Finalmente, os nossos advogados estão analisando detalhadamente os autos para, no momento próprio, apresentar nossas posições. Além das investigações internas que determinei, com o apoio da Controladoria, da Procuradoria e da Polícia Civil, vamos colaborar com tudo que for necessário para as investigações do Ministério Público Federal e do Superior Tribunal de Justiça.

9 – Confiamos na justiça e vamos continuar trabalhando no dia a dia do governo, agora livres dessa herança maldita do governo anterior.

José Roberto Arruda
Governador do Distrito Federal

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