Exemplo através da música

Jovem joseense mostra que deficiência não o impede de viver normalmente

Por Elizânio Silva

Um verdadeiro exemplo de que a vida é um aprendizado diário e de que só reclamar não muda nada no dia a dia da pessoa com deficiência. Aos 19 anos, o jovem Victor Augstroze, um apaixonado pela música, demonstra a vontade de vencer e a luta que trava desde 2001, quando perdeu completamente visão.

Victor nasceu com uma má formação na retina e desde muito pequeno, usava óculos que o ajudava a corrigir a visão afetada pelo problema. Entretanto, como ele mesmo afirmou, no fundo já imaginava que um dia perderia completamente a visão.

O fato de ser cego não impede que Victor viva normalmente e faça tudo que um jovem da sua idade costuma fazer. Passear no shopping com os amigos, namorar, frequentar clubes, ir a shows, enfim, curtir a vida como qualquer garoto de 19 anos.

A história com a música começou aos dois anos, quando ganhou seu primeiro teclado. De lá para cá, seu talento foi se desenvolvendo sensivelmente e hoje, além do teclado e violão, Victor ministra aulas de piano e acaba de concluir um curso de massagem.  

É ÓBVIO: Quando descobriu a paixão pela música?

Desde pequeno, sempre gostei de ouvir música, até quando eu ganhei meu primeiro teclado de brinquedo. Daí pra frente, foi só barulho. Até que de tanto insistir, ganhei um teclado, ainda pequeno, mais que foi onde minha tia me ensinou os dois primeiros acordes da minha vida musical. Hoje em dia, eu toco piano e teclado, e ela não toca mais.

É ÓBVIO: O que a música desenvolveu em você?

Desenvolveu o sentimento. A disciplina com certeza. A gente aprende que pra ser um bom músico, precisamos estudar, passar horas a fio na frente de um piano praticando. Aprendemos que, se a música te emociona, é o primeiro passo para incluí-la em um repertório.

É ÓBVIO: Quais instrumentos musicais você toca?

Eu sou um pouquinho autodidata. Eu toco: Piano, violão e teclado.

É ÓBVIO: Quais são os seus ídolos?

São tantos que eu poderia citar… Mais dentre todos, eu destaco dois: Cazuza, um letrista fantástico, e igual violonista. E também Andrea Boccelli, por ser cego, e ter conseguido o espaço dele na música, sem se por em posição de coitado, ou de usar sua cegueira como instrumento de divulgação de seu trabalho. Também pelo fato de tocar piano. Tocar divinamente, e cantar divinamente também.

É ÓBVIO: Além da música, quais suas outras ocupações?

Sou músico, sou ator, faço massagem e dou aulas de piano.

É ÓBVIO: De que maneira a pessoa com deficiência pode mudar a realidade da sua vida?

Batalhando. É a única forma de conseguir ser respeitada, e vista com dignidade, além de perder o estereótipo de “o coitadinho”. Os deficientes devem aceitar sua condição, e lutar com unhas e dentes pra torná-la melhor. Uma frase que eu sempre digo: se você acha que a sua cruz é muito pesada, abrace-a, que ela se torna mais leve, pois o peso será dividido igualmente nos dois ombros. O mundo não é um lugar fácil pra ninguém. Agora, imaginem pra quem tem algum tipo de deficiência? Não há mais porque ficar falando de inclusão, já que isso é muito lindo no papel. Só que, se os deficientes não se unirem, e brigarem por um bem comum, nada será feito. É a hora de nos mexermos, e lutarmos pra uma vida melhor pra todos.

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