Arquivo de setembro \29\UTC 2010

Não se engane: Tiririca é exceção

Lauro Jardim do Radar Online

O fenômenoTiririca – que entra na última semana de campanha como o campeão de intenção de votos para deputado federal em São Paulo, segundo a última pesquisa Ibope – levou muita gente a instituir uma verdade absoluta: candidato-celebridade é a garantia dos partidos para garantir a eleição de mais um monte de políticos ruins de voto, todos montados na garupa dos votos alheios. 

Com Tiririca (cuja cartilha que está sendo distribuída aos eleitores é reproduzida acima), lançado pelo PR, está sendo assim. Mas, de acordo com a última pesquisa Ibope para deputado federal em todo o país, trata-se de uma exceção.

Romário, que deve ser o segundo mais votado no Rio de Janeiro, é outra exceção. Netinho de Paula, outra.  O resto  – uma turma que vai da Mulher-Pêra e Vampeta a Moacyr Franco e Marcelinho Carioca, passando por Reginaldo Rossi e Maguila – não deve se eleger. E, se forem eleitos, não serão de modo algum campeões de votos.

Carta com pedido de demissão de Erenice Guerra

Senhor Presidente

Nos últimos dias fui surpreendida por uma série de matérias veiculadas por alguns órgãos de imprensa, contendo acusações que envolvem familiares meus e ex-servidor lotado nesta Pasta.

Tenho respondido uma a uma, buscando esclarecer o que se publica e, principalmente, a verdade dos fatos, defrontando-me com toda sorte de afirmações, ilações ou mentiras que visam desacreditar meu trabalho e atingir o governo ao qual sirvo.

Não posso, não devo e nem quero furtar-me à tarefa de esclarecer todas essas acusações e nem posso deixar qualquer dúvida pairando acerca da minha honradez e da seriedade com a qual me porto no serviço público. Nada fiz ou permitir que se fizesse, ao longo de 30 anos da minha trajetória pública, que não tenha sido no estrito cumprimento de meus deveres.

Prova irrefutável dessa minha postura é que já solicitei à Comissão de Ética a abertura de procedimento para esclarecimento dos fatos aleivosamente contra mim levantados, à Controladoria-Geral da Republica a auditagem dos atos relativos à Anac, dos Correios e da contratação de parecer jurídico na EPE, além de solicitar ao Ministério da Justiça a abertura dos procedimentos que se fizerem necessários no âmbito daquela Pasta para também esclarecer os citados fatos.

No entanto, mesmo com todas essas medidas por mim adotadas, inclusive com a abertura dos meus sigilos telefônico, bancário e fiscal, a sórdida campanha para desconstituição da minha imagem, do meu trabalho e da minha família continuou implacável. Não apresentam uma única prova sobre minha participação em qualquer dos pretensos atos levianamente questionados, mas mesmo assim estampam artificialmente um clima de escândalo. Não conhecem limites.

Senhor Presidente, por ter formação cristã não desejo nem para o pior dos meus inimigos que ele venha a passar por uma campanha de desqualificação como a que se desencadeou contra mim e minha família. As paixões eleitorais não podem justificar esse vale-tudo.

Preciso agora de paz e tempo para defender a mim e a minha família, fazendo com que a verdade prevaleça, o que se torna incompatível com a carga de trabalho que tenho a honra de desempenhar na Casa Civil.

Por isso, agradecendo a confiança de Vossa Excelência ao designar-me para a honrosa função de Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, solicito, em caráter irrevogável, que aceite meu pedido de demissão.

Cabe-me daqui por diante, a missão de lutar para que a verdade dos fatos seja restabelecida.

Brasília, 16 de setembro de 2010.

Erenice Guerra

Serra, Dilma e a política são coadjuvantes na eleição

Marcelo Semer
De São Paulo

Não deixa de ser uma ironia o fato de que na eleição em que se pretendeu retirar o humor da cobertura de política, seja um palhaço, literalmente, o candidato a deputado com maior destaque.

É verdade que Tiririca não é obra do acaso ou de um mero improviso.

O palhaço faz sucesso não apenas pelo grotesco, mas pelo fato de que lhe foi dado, cuidadosamente, um tempo de exposição na televisão que só encontra paralelo nos “donos” de partidos.

Desde o exemplo de Enéas, sabe-se que um bom puxador de votos é capaz de milagres. Vários são os políticos que preferem se esconder por detrás de um nome atraente, ou apenas divertido, para mais tarde obter os louros do quociente eleitoral.

O fato de Tiririca ter tanto destaque na eleição e José Serra tão pouco também não é gratuito.

É fruto do esvaziamento político da eleição, a marca de 2010.

O fenômeno não é novo, mas é de se registrar que a política nunca esteve tão ausente de uma eleição como agora.

Na pré-campanha, os tucanos apontavam o dedo para Dilma dizendo que ela seria apenas um fantoche do presidente. Se pretendiam buscar lã, saíram evidentemente tosquiados, porque o prestígio e a popularidade de Lula apenas engordaram progressivamente o cacife eleitoral dela.

A equação é, de certa forma, cruel com ambas as partes: quanto menor Dilma é, mais votos tende a receber.

E se a situação ganha quanto menos fala ou aparece, Serra na oposição se mostrou uma espécie de centroavante mal colocado.

Tem-se a impressão de que nunca está no lugar certo, na hora certa, principal característica dos bons goleadores.

Foi situação quando a população queria mudar; é oposição, quando o governo está bem avaliado.

Mas nada disso explica o fato de que é uma oposição que não se opõe.

Trouxe como lema de campanha, a capacidade de fazer “mais”. Não disse que vai fazer diferente ou que pretende fazer melhor.

Mais, é discurso de continuísmo, não de oposição. Não à toa, dormiu com o inimigo, trazendo o próprio Lula para sua propaganda eleitoral como uma forma pouco sutil de dizer que ele sim seria o verdadeiro sucessor do presidente.

Uma situação que se esconde e uma oposição que não se opõe. E a política foi se esvaindo pelo ralo.

Marina não se livra do estigma de candidata da ecologia – sua melhor marca é paradoxalmente o maior entrave.

E Plínio, que desempenha na eleição o minúsculo papel do “diferente de tudo que está aí”, tem praticamente o mesmo tempo de televisão do que o candidato palhaço para pontuar as insustentáveis semelhanças de todos os seus adversários, motivo talvez do vazio dos discursos.

A eleição de 2010 poderá ser lembrada pelas disputas na justiça.

Um sem-número de candidaturas vem sendo glosadas sem que o STF ainda tenha sequer apreciado a constitucionalidade e os limites do Ficha Limpa, mantendo inabaláveis os riscos de inversão de resultados depois da votação.

Poderá ser lembrada pela campanha, ou quem sabe até mesmo a eleição, de Tiririca, esse nosso Cacareco pós-moderno, cujos votos, entretanto, não serão nada nulos.

Poderá, enfim, ser lembrada como marca expressiva da transferência de voto de um líder popular, que acabou por fazer dos candidatos efetivos, meros coadjuvantes.

Mas não poderá ser lembrada pela política, porque inadvertida ou propositadamente, os partidos a deixaram de lado.

O efeito retardado deste debate apolítico pode ser devastador.

Ou não. Quem sabe se as coisas andam tão ruins que pior não ficarão.

Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de “Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho” (LTr) e autor de “Crime Impossível” (Malheiros) e do romance “Certas Canções (7 letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo

Eleições 2010

Por Elizânio Silva

Há 20 dias das eleições de 3 de outubro, candidatos e coligações começam a usar as últimas cartadas para mudar o resultado das pesquisas de intenção de voto. No cenário nacional, por exemplo, a ‘personagem’ Dilma Roussef (PT) lidera todas as sondagens realizadas, seguida pelo tucano José Serra (PSDB) que tenta diminuir a diferença e levar a disputada para o segundo turno.

Em São Paulo, embora tenha caído alguns pontos segundo as últimas pesquisas, Geraldo Alckmin (PSDB) pode ser eleito ainda no primeiro turno das eleições, mantendo os peessedebistas à frente do Estado mais rico do Brasil, pelo quinto mandato consecutivo. Mercadante também tentar levar a disputa para o segundo turno.

Agora a eleição que promete ser mais interessante é sem dúvida para Câmara dos Deputados. Segundo sondagens realizadas pelo IBOPE o palhaço Tiririca, famoso por suas peripécias na TV, pode despontar como um dos favoritos a campeão de votos. O blog do Noblat publicou na última segunda-feira nota com o seguinte título: “Tiririca, candidato a 1 milhão de votos”.

De acordo com o jornalista Ricardo Noblat, especialistas em pesquisas projetam que o palhaço terá algo em torno de 800 mil a 1 milhão de votos, votação suficiente para eleger mais cinco ou seis deputados, se transformando num puxador de votos respeitado e aumentando a bancada paulista do PR (Partido da República).

Mais a que se atribuiu tamanha adesão ao palhaço candidato? Voto de protesto? Creio que não. A possível votação super expressiva de Tiririca, atribui-se a falta de qualidade na política brasileira. É claro que existem exceções. Temos políticos respeitados e comprometidos, que trabalham para melhoria da qualidade de vida das pessoas, buscando o bem comum e propondo projetos que vão ao encontro das necessidades dos brasileiros.

A verdade é que muitos cidadãos avaliam que a política virou um circo e nada melhor do que termos um palhaço para representar a classe.

Tiririca, candidato para 1 milhão de votos

Do blog do Ricardo Noblat

Por baixo, aposta-se em São Paulo, entre especialistas em pesquisas e atentos observadores da política, que o comediante Tiririca deverá ser eleito deputado federal com algo entre 800 mil a 1 milhão de votos. Se atingir essa marca, ele ajudará a eleger mais cinco ou seis deputados. Será a bancada do Tiririca.

100 mil acessos!!!

É ÓBVIO continua em festa. Primeiro, porque no mês de setembro celebramos dois anos no ar  e segundo por alcançarmos uma marca extremamente importante para nossa história, registramos o acesso de número 100 mil.

Somos gratos por mais essa marca e devemos isso aos nossos leitores, colaboradores, críticos e incentivadores.

Continuem conosco, pois vocês fazem parte da nossa história.

Abraços. Equipe É ÓBVIO!!!

Assinatura de Verônica Serra é falsa